quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Litania

Resume-se ao regime autoritário e estulto,
Ao edito insensato e frio de um deus velho:
Há mais de Deus em não prestar-se culto!
Há mais da Sacra História em fogo e prélio!
Ó vós, ovelhas más, a quem o Ideal Caminho
Paga-se em falso pejo e ofertas de pão ázimo,
E a Glória em flagelar-se e em padecer sozinho:
Há mais de Deus na extrema-unção do orgasmo!
Há mais da Sacra História num bom vinho!
Ó vós, ovelhas de um rebanho a quem é dado
O tino de apartar o fruto que vos tente
Do azeite e do maná de Cristo Imaculado:
Há mais de Deus na astúcia da Serpente!
Há mais da Sacra História no Pecado!
01 / 2016
domingo, 13 de dezembro de 2015
"Ozimândias", de Percy Shelley.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Poema para depois do Ano-novo
Tudo acabou sem nem sabermos como:
o que resta é um sabor amanhecido
na boca a anunciar o fim do pomo
e a amarga sensação do não ter sido.
Mas sei que, se cruzarmos nossas tardes
nalguma esquina ou bar, bem mais afins que
no passado, desviando o abrupto olhar
de espanto, o Amor dará dentro do peito
— o mais novo concerto de Stravinsky —
um grito de ódio a tudo o que é perfeito.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
terça-feira, 13 de outubro de 2015
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Placebo
Eu vou rimar rimando em rima rica,
Rimar rimando em rima rara eu vou,
Porque rimar em rima rara é pica,
Porque rimar em rima rica é show.
Queres compor? Eu já te dou a dica;
Queres compor? Amigo, te prepara:
Não rimes rima que não seja rica,
Não rimes rima que não seja rara.
Se for soneto, então, rima no embalo,
Pois não rimar é como não ter rima
E não ter rima é como não rimá-lo;
Mas lembra, meu amigo: ou rica, ou rara.
Adoça bem a péssima vindima
Que a falta de sabor não se repara.

