terça-feira, 15 de outubro de 2019

Primavera

Ventos de luz e sal na ressequida fronte
onde ela aporta seu olhar: cresta-lhe os músculos
a morna agitação de todos os crepúsculos,
a harmonia final transfeita no horizonte.

Nem a busco entender, nem peço que me conte
o que Vésper lhe diz e aflora nos minúsculos
feixes a se esparzir, tingindo o lusco-fusco: Luz
salina, ardente espuma, em seu olhar desponte,

e não deixe, uma vez vazado o oceano mudo
sobre a concha das mãos salpicadas de areia,
nada além da ilusão de estarmos e de sermos

Cismo. E ela me beija e, rindo disso tudo,
observa como o sol, nesse ângulo, clareia
a primavera morta em nossos lábios ermos.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

30.09


Tradução – leitura escrita,
eco, narciso ou imago:
quanto mais agita o lago,
melhor o rosto se fita.