Eu vou rimar rimando em rima rica,
Rimar rimando em rima rara eu vou,
Porque rimar em rima rara é pica,
Porque rimar em rima rica é show.
Queres compor? Eu já te dou a dica;
Queres compor? Amigo, te prepara:
Não rimes rima que não seja rica,
Não rimes rima que não seja rara.
Se for soneto, então, rima no embalo,
Pois não rimar é como não ter rima
E não ter rima é como não rimá-lo;
Mas lembra, meu amigo: ou rica, ou rara.
Adoça bem a péssima vindima
Que a falta de sabor não se repara.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Placebo
09 / 2015
domingo, 13 de setembro de 2015
Um soneto escarrado.
É em noites assim que eu sinto um grande
desejo de escrever o que não seja
só palavra, capturar o que adeja
no espaço oculto entre o que não se expande
para além do papel e o sem-limite
de ideais nascituros me encarando;
mas se este anseio só me surge quando
não dá para exceder nem mais um bit
do que a mente suporta, e a coisa emperra,
que me resta? Tão só fechar os olhos
à batalha e conferir os espólios
tendo dado por certo o fim da guerra
(espólios tais previstos desde o início,
num misto de catarse e lorem ipsum).
09 / 2015
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Três impressões do Tempo.

("Young Man with a Skull" - Frans Halls)
"And nothing 'gainst Time's scythe can make defence"
(Shakespeare, Sonnet XII)
sábado, 25 de julho de 2015
A uma poeta morta
não é porque não sabes meu nome
que não sabes quem sou:
cantas como ninguém meus malmequeres,
pintas como ninguém os meus ocasos.
tua Palavra
é como um flash-
-back, um sopro de vida
embolorado no vão do teto
que salta à vista
quando procuro o céu.
é como se passasses discretamente com teu cigarro
e eu mal pudesse ver teu rosto,
mas logo sentisse o rastro de fumaça sufocante se alastrar,
o rastro dessa matéria sufocante
que me engole todo
de dentro para fora.
07 / 2015
terça-feira, 7 de julho de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
domingo, 28 de junho de 2015
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