
segunda-feira, 16 de julho de 2018
terça-feira, 10 de julho de 2018
segunda-feira, 28 de maio de 2018
Minha voz, tão leve e rouca,
se de voz posso chamá-la,
minha voz não fala:
caminha.
Minha voz, tão breve e pouca,
sem potência nem compasso,
treme sobre o traço
da linha.
Minha voz sem verve, coxa,
ante o coro não se espanta:
cala; escuta; e canta,
sozinha,
dos pulmões ao céu da boca,
todo um infinito mudo.
Nada é, contudo
é minha.
sexta-feira, 18 de maio de 2018
Um soneto de Olavo Bilac para o inglês.

Exercitando a via contrária da tradução, verti o soneto "Língua Portuguesa", de Olavo Bilac, para o inglês. Uma boa maneira de aguçar a sensibilidade ao outro idioma, na maioria das vezes de partida e não de chegada.
Traduzi os decassílabos em pentâmetros iâmbicos, mantendo um esquema de rimas próximo do original, embora, infelizmente, não tenha conseguido preservar as mesmas rimas nos dois quartetos. Ainda me sinto um brutamontes manejando o inglês, mas de um modo geral o resultado me agradou, e espero que também ao leitor mais sensível às nuances da língua inglesa.
LÍNGUA PORTUGUESA
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
***
Last flower of the Latium, wild and sweet,
Thou art, at once, both sepulture and splendour:
Hidden in slag, a gold of native grandeur,
Which crude mines veil among the muddy grit...
I love thee as thou art: obscure, unknown,
O tuba of roaring clanks, O lyre warm,
Who hast the hiss and rumble of the storm,
And so the lull of tender things long gone!
I love thy wild luxuriance and thy scent
Of oceans deep and uninvaded isles!
I love thee, Tongue of bruteness and lament,
In which I heard from mother's lips: "my son!",
In which Camões once mourned, through dark exiles,
His wretched fate and heart that never sung!
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
"Os Gatos", de Charles Baudelaire.

LES CHATS
Les amoureux fervents et les savants austères
Aiment également, dans leur mûre saison,
Les chats puissants et doux, orgueil de la maison,
Qui comme eux sont frileux et comme eux sédentaires.
Amis de la science et de la volupté,
Ils cherchent le silence et l'horreur des ténèbres;
L'Erèbe les eût pris pour ses coursiers funèbres,
S'ils pouvaient au servage incliner leur fierté.
Ils prennent en songeant les nobles attitudes
Des grands sphinx allongés au fond des solitudes,
Qui semblent s'endormir dans un rêve sans fin;
Leurs reins féconds sont pleins d'étincelles magiques,
Et des parcelles d'or, ainsi qu'un sable fin,
Etoilent vaguement leurs prunelles mystiques.
OS GATOS
Chegada a madureza, hão de igualmente amar
Os gatos, fera e doce ostentação do lar,
Que, tal qual, sentem frio e são, tal qual, ociosos.
Amigos da ciência e irmãos da languidez,
Perscrutam o silêncio e os noturnos mistérios;
O Érebo os suporia os seus corcéis funéreos,
Pudera a obediência impor-lhes à altivez.
Seu meditar profundo o nobre aspecto cinge
De alguma solitária e majestosa esfinge
Que repousa embalada em um sonho imortal;
Transbordam de seus rins fantásticas cintilas,
E, astros ou grãos de areia, ouro de um primor tal
Vagamente reluz nas místicas pupilas.
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
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